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(Não) É Preciso Ter Fé

Fé 

Graça e Paz a Todos.

O título acima é resultado de uma discussão na última EBD, cujo tema da lição foi “A Promessa da Cura Divina”.

Em dado momento um aluno declarou, e nenhum argumento o fez reconsiderar, que aquele que recebe a oração da fé “não precisa ter fé” que será curado.

Para manter sua posição usou duas passagens bíblicas que dariam respaldo a sua posição:

Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados ” Tg 5:14-15

Pedro, fitando-o, juntamente com João, disse: Olha para nós. Ele os olhava atentamente, esperando receber alguma coisa. Pedro, porém, lhe disse: Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda! E, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente, os seus pés e tornozelos se firmaram ” At 3:4-7

De acordo com esse aluno, a fé é apenas de quem ora e não inclui de quem recebe a oração. Porém analisando de forma exegética os textos apresentados, vemos que a posição desse aluno não está biblicamente embasada. A despeito dos demais textos bíblicos, se analisarmos apenas esses dois, veremos uma má interpretação.

Em Tiago 5, em momento algum o escritor afirma que a pessoa doente não precisa ter fé. Pelo contrário, o próprio ato de “chamar” os presbíteros já denota fé, afinal, para quê chamá-los se não há fé que será curado?

Em Atos 3, o homem era judeu, e portando, cria em Deus. Nesse caso específico, vemos que não houve por parte dos Apóstolos nenhum indício de que haveria uma cura, tanto que o texto diz que o homem esperava receber algo (esmola) deles. Pedro determinou a cura sem haver tempo do homem exercitar a sua fé. Pedro não perguntou se ele queria ser curado. Pedro determinou a cura pelo Nome do Senhor. Mas isso não quer dizer que o mesmo não teria fé caso soubesse com antecedência da intenção dos Apóstolos.

E o que dizer da mulher do fluxo de sangue?

Tendo ouvido a fama de Jesus, vindo por trás dele, por entre a multidão, tocou-lhe a veste. Porque, dizia: Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada ” Mc 5:27:28

Do paralítico no tanque de Betesda ?

Estava ali um homem enfermo havia trinta e oito anos. Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim há muito tempo, perguntou-lhe: Queres ser curado? Respondeu-lhe o enfermo: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; pois, enquanto eu vou, desce outro antes de mim. Então, lhe disse Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda.” Jo 5:5-8

Do paralítico descido pelo telhado ?

Ora, aconteceu que, num daqueles dias, estava ele ensinando, e achavam-se ali assentados fariseus e mestres da Lei, vindos de todas as aldeias da Galiléia, da Judéia e de Jerusalém. E o poder do Senhor estava com ele para curar. Vieram, então, uns homens trazendo em um leito um paralítico; e procuravam introduzi-lo e pô-lo diante de Jesus. E, não achando por onde introduzi-lo por causa da multidão, subindo ao eirado, o desceram no leito, por entre os ladrilhos, para o meio, diante de Jesus. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Homem, estão perdoados os teus pecados. ” Lc 5:17-20

E o que dizer do texto áureo da fé?

Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem. De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam ” Hb 11:1,6

A aparente “omissão” da fé nos textos de Tiago e Atos não pode anular a mesma, nem nos textos e nem em toda a Sagrada Escritura.

Conquanto Deus possa curar uma pessoa que não tem fé, única e exclusivamente pela sua vontade e soberania, sendo essa possibilidade uma exceção à regra, não podemos afirmar que não é preciso ter fé para ser curado. Isso seria anular toda a Sagrada Escritura.

Vemos que falta aos crentes uma melhor “exegese” dos textos bíblicos.

Soli Deo Glória.

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As Indulgências Evangélicas

carnê da fidelidade

Estava zapeando entre os canais de TV dia desses quando me deparei com o programa de um “Apóstolo” mostrando mais uma das campanhas de milagres de sua igreja.

Milagre vai, milagre vem, e ele solta a pérola:

“Olha aqui o carnê da fidelidade. Foi fiel e Deus o abençôou”.

Analisando todas as novidades que tem inundado a igreja nas últimas décadas, provindas da Teologia da Prosperidade, cheguei a conclusão de que se Lutero fosse vivo (ou ressuscitasse hoje), iria pregar “190 teses” nas portas de alguma catedral/templo por aí. Esses carnês são a versão renovada das “Indulgências”.

Na idade média, a indulgência (perdão dos pecados, inclusive dos mortos) era dada a quem pagasse pela mesma. Isso foi um dos fatos condenados por Lutero.

Hoje, longe de ser para o perdão dos pecados, é para garantir que Deus cumprirá todas as suas promessas. É quase como se você comprasse um Carnê do Baú e ao final dos pagamentos, pagando em dia (fidelidade), seria contemplado com prêmios, no caso, bençãos.

O dinheiro não vai para a obra de Deus, mas sim para o bolso dos larápios de plantão.

Que evangelho é esse gente?

Sabemos que as bençãos de Deus nos alcansarão, se formos fiéis. Mas isso não quer dizer que a fidelidade é, via de regra, sempre na questão financeira.

O salmista pergunta:

Salmos 24:3 Quem subirá ao monte do SENHOR? Quem há de permanecer no seu santo lugar?

E inspirado pelo Espírito Santo, responde:

Salmos 24:4-6 O que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à falsidade, nem jura dolosamente. Este obterá do SENHOR a bênção e a justiça do Deus da sua salvação. Tal é a geração dos que o buscam, dos que buscam a face do Deus de Jacó.

Veja bem, não está escrito:

“O que contribui com o carnê da fidelidade, e faz votos de fé” (voto de fé aquí não se trata da fé em si, mas de um sacrifício, que é por tabela dar aquilo que você não tem).

Infelizmente esses shows de auditório estão cheios de testemunhos do tipo:

“Estava na sarjeta, sem calçados, sem comer… mas participei da campanha dos 400 pastores (ou seriam profetas de Baal)… agora tenho duas casas, dois carros na garagem, dinheiro no banco e uma empresa”

Como se diz naquele hino: Êta butina !!

Os que assistem tais espetáculos, se por inocência ou se por ganância, não o sei, vão fazer os seus votos/sacrifícios e depois Deus tem que ralar para os comprir.

“Levantem as mãos e digam: ‘Vou entregar ofertas que nunca entreguei em minha vida’. Deus vai aumentar o seu crédito. Deus vai lhe suprir em cada uma de suas necessidades. Pegue o envelope, fique de pé e faça a oferta especial. Vá até o altar e dê R$ 1 mil, R$ 5 mil, R$ 10 mil” (Sônia Hernandes, em apelo via telão aos fiéis da Renascer na semana passada).

Por isso Deus mesmo diz em sua palavra: “O meu povo é destruído porque lhe falta conhecimento”.

Voltemos à Palavra e não às fábulas, busquemos ao Senhor e não as suas bençãos, busquemos primeiro as coisas de cima e as demais nos serão acrescentadas. Abaixo, uma transcrição da pregação do Pastor John Piper a respeito da Teologia da Prosperidade, que pode ser visto na íntegra no blog Deus Pro Nobis.

Eu não sei o quê você sente em relação à Teologia da Prosperidade, mas eu vou lhe dizer o que eu sinto: ódio.

Isso não é o Evangelho. E está sendo exportada deste país (EUA) para a Ásia e a África, vendendo um cardápio de benefícios aos mais pobres dos pobres. Eles dizem: “Creia nessa mensagem e seus porcos não irão morrer, e sua esposa não terá abortos, e você terá anéis em seus dedos e casacos nas suas costas”.

Isso está saindo da América. Pessoas às quais nós deveríamos dar nosso dinheiro, nosso tempo e nossas vidas, ao invés de vender a eles um monte de esterco que eles insistem em chamar “evangelho”.

E esta é a razão pela qual a Teologia da Prosperidade é tão horrenda. Qual foi a última vez na qual um americano, um africano ou um asiático jamais disse que Jesus é totalmente satisfatório por causa da BMW que possuía?

Nunca.

Eles dirão: “foi Jesus quem te deu isso? Eu aceito esse Jesus!”

Isso é IDOLATRIA. Isso não é o Evangelho. Isso é colocar os dons acima de quem deu os dons.

Eu vou te dizer o que faz Jesus parecer lindo.

É quando você bate seu carro e sua filhinha voa através do pára-brisas… e cai morta na rua… e você diz, em meio a mais profunda dor possível: “Deus me é suficiente. Ele é bom, Ele cuidará de nós, Ele irá nos satisfazer, Ele nos fará passar por isso. Ele é nosso TESOURO. A quem tenho eu no céu além de Ti? E na terra, não há nada que eu deseje mais que a Ti. Minha carne e meu coração e minha filhinha desfalecem, mas Tu és a força do meu coração, e a minha porção para sempre.”

Isso faz Deus parecer Glorioso. Como Deus. Não como alguém que dá carros, segurança ou saúde.

Oh, como eu oro para que o Rio de Janeiro* seja liberto de Teologias que enfatizam a saúde, a riqueza, a prosperidade; de fato, que o Brasil** seja liberto. E que a Igreja Cristã seja conhecida por SOFRER por Cristo.

DEUS É MAIS GLORIFICADO EM VOCÊ QUANDO VOCÊ ESTÁ MAIS SATISFEITO NELE EM MEIO À DOR E POBREZA, E NÃO EM MEIO À PROSPERIDADE.

* Originalmente era Birmingham (U.K.)

** América (U.S.A)

Que Deus ilumine as mentes que estão entorpecidas. É nossa petição e nossa oração.

Soli Deo Glória